segunda-feira, 25 de abril de 2011

Brasil conta com um dos piores regimes de direitos autorais no mundo

Ranking da Consumers International destaca que os países em desenvolvimento são os que possuem as leis mais prejudiciais ao consumidor. Um retrocesso no processo de democratização leva o país de sétimo para quarto lugar na lista

Atrás apenas do Japão, Egito e Zâmbia, o Brasil tem um dos piores regimes de direitos autorais do mundo, referente às leis que mais restringem direitos do consumidor no acesso a serviços e produtos culturais. A conclusão é da IP Watchlist 2011, um levantamento sobre direito autoral e propriedade intelectual feita pela Consumers Internacional - federação que congrega entidades de defesa do consumidor em todo o mundo, incluindo o Idec.

O Idec participou do trabalho, fazendo o relatório sobre a situação no Brasil. O trabalho leva em conta questões como as possibilidades trazidas pela legislação autoral para o acesso dos consumidores a serviços e produtos culturais, exceções e limitações para usos educacionais das obras, preservação do patrimônio cultural, acessibilidade, adaptação da lei aos novos modelos digitais e utilização privada dos bens culturais.

O relatório da CI destaca que os países em desenvolvimento são os que possuem as leis mais prejudiciais ao consumidor. Uma das críticas feitas pelo relatório é a punição excessiva prevista aos consumidores considerados infratores da lei quando realizam tarefas cotidianas como, por exemplo, transferir arquivos de um equipamento para o outro, para uso pessoal. Por outro lado, não há qualquer punição prevista aos fornecedores que cerceiam os direitos do consumidor.

"Que tipo de punição recebe o proprietário dos direitos autorais que interfere nos direitos do consumidor a ponto de impedi-lo de fazer uma cópia para backup ou para estudo? A resposta é que em todos os países pesquisados, não há qualquer sanção ao proprietário dos direitos autorais", aponta o relatório. A pesquisa cita ainda que as reformas planejadas para a Lei de Direitos Autorais no Brasil pode ser uma das primeiras a prever uma solução real para os consumidores, cujos direitos são obstruídos pelos fornecedores. A proposta é coibir qualquer prática que impeça o exercício dos direitos do usuário.

O advogado do Idec, Guilherme Varella, que contribuiu com o levantamento, lembra que o Brasil havia ficado na sétima posição na pesquisa de 2010, caindo agora para a quarta, o que demonstra um retrocesso no processo de democratização dos direitos autorais. Isso teria ocorrido após o governo dar manifestações claras de que não vai mais rever sua lei de direito autoral (Lei 9.610/98).

"A LDA passou por processo de reforma no ano passado, com consulta pública aberta à participação popular, depois de seis anos de debate intenso, conduzido pelo Ministério da Cultura. O anteprojeto de lei que reforma a LDA iria para o Congresso Nacional com um texto muito avançado, que equilibrava a proteção dos autores com o interesse público de acesso à cultura", afirmou Varella. "Nesse novo governo, o Ministério da Cultura recuou da reforma e não se mostra favorável à flexibilização da lei".

A LDA ainda permite o DRM (digital rights management), um sistema de gerenciamento digital que restringe a utilização de produtos que o consumidor adquire legitimamente no mercado. Pela lei, as empresas podem colocar essa "trava tecnológica" em um CD ou DVD e este tocar apenas em um aparelho de som e não em outro. O DRM também restringe o número de cópias privadas. A lei, assim, vai contra princípios básicos do Código de Defesa do Consumidor, que protege direitos como a liberdade de escolha do consumidor e a lealdade nas relações de consumo. Para ilustrar como isso funciona, o Idec realizou uma pesquisa esse mês, matéria da Revista do Idec 153.

A lista dos dez países pior colocados neste ano tem o Japão em primeiro lugar, como o país com as piores leis, seguido pelo Egito, Zâmbia, Brasil - na quarta posição -, Argentina, Tailândia, Quênia, Reino Unido, Jordânia e Chile. Em 11 diferentes áreas analisadas, como uso educacional, uso literário e liberdade para compartilhar e transferir informações, nenhum dos 24 países pesquisados alcançaram a nota máxima. Mais de dois terços deles receberam a pontuação mais baixa em pelo menos uma dessas áreas. Confira aqui a íntegra da pesquisa.

Educação

O Brasil se mantém entre os países com a pior nota no quesito possibilidades educacionais. Isso se dá pelo fato da lei autoral não permitir a cópia para uso educacional ou científico. Os livros científicos brasileiros são extremamente caros. Muitas vezes, seus autores já receberam pelas obras, através de bolsas e salários, como ocorre com as universidades públicas, e mesmo assim os estudantes não têm direito de tirar uma cópia desses livros para fins unicamente de estudo, sem finalidade comercial.
Além disso, segundo o advogado do Idec, há uma ação ostensiva da indústria reprográfica no Brasil contra copiadoras de livros. "Pela lei, as copiadoras podem tirar cópias de "pequenos trechos" de obras, ainda que não se especifique o que são pequenos trechos. Algumas organizações têm intimidado proprietários de copiadoras e coagidos seus funcionários a não tiraram cópias nem de pequenos trechos, infringindo direitos dos alunos e desses profissionais", apontou Varella.

No mais, ainda na questão educativa, a LDA não permite a cópia nem a digitalização de obras. Assim, livros raros, não mais editados, podem apodrecer em estantes de bibliotecas sem que nada possa ser feito. O mesmo vale para as cinematecas. Filmes antigos, livros importantes, que compõem o patrimônio cultural e educacional brasileiro, podem se perder por inconsistência dessa lei.

LDA e Internet

Foi reaberta no Congresso a discussão do Projeto de Lei 84/99, a chamada Lei Azeredo. O PL prevê o monitoramento dos usuários pelos provedores de internet e a permissão para que cortem sua conexão em caso de conduta suspeita de violação de direitos autorais. A linha é a mesma das leis da França e Espanha, prevendo a intervenção direta na esfera individual dos consumidores. Por aqui, o movimento de cultura digital batizou o PL de AI-5 Digital, em referência ao famigerado ato institucional da ditadura militar, que cassou direitos civis e políticos, em 1968.

Fonte: IDEC

terça-feira, 19 de abril de 2011

SEMINÁRIO A SOCIEDADE EM REDE E O TEATRO EM FORTALEZA ABRE INSCRIÇÕES .



O SEMINÁRIO A SOCIEDADE EM REDE E O TEATRO AGORA EM FORTALEZA!
Eu fiz esse seminário aqui no Rio, e só posso dizer que foi maravilhoso, os palestrantes são os melhores do seguimento cultural do momento. vi que alguns de vocês acompanharam pelo Web, agora chegou à hora de fazer ao vivo, não percam essa oportunidade ela é única, aproveitem para divulgar muito. As vagas são super limitada.

domingo, 10 de abril de 2011

8º Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco abre inscrições para processo de seleção

Estão abertas, desde a segunda-feira, 4 de abril, as inscrições para grupos e companhias teatrais, de todo o Brasil, interessadas em se apresentar no 8º Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco. Este ano, o evento conta com o patrocínio da Chesf, por meio do Programa Sistema Eletrobras de Cultura 2010, e, da Caixa Econômica, por meio do Programa Caixa de Apoio a Festivais de Teatro e Dança. Os interessados em participar da seleção devem enviar a ficha de inscrição até 05 de maio para o endereço eletrônico: contato@teatroparacrianca.com.br. Ela deve estar acompanhada de projeto contendo objeto, objetivos, sinopse do espetáculo, proposta de encenação, trajetória do espetáculo com pelo menos três comprovações sobre a repercussão do trabalho, currículo do diretor e do grupo, e cópia do texto, acompanhada de liberação de direitos autorais e/ou autorização do autor para a montagem.

Também para o endereço eletrônico devem ser enviadas informações sobre as necessidades técnicas do espetáculo, peso e cubagem do material cênico. Além disso, deve ser encaminhado, através dos Correios, o DVD com a íntegra da montagem que está sendo inscrita no processo de seleção. O regulamento, assim como a ficha de inscrição, podem ser obtidos no site www.teatroparacrianca.com.br. Para a postagem pelos Correios, o endereço é: MÉTRON PRODUÇÕES LTDA: 8º Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco - Rua Tabira, nº 109 – Boa Vista - Recife – Pernambuco – CEP: 50050-330.

A seleção será feita por uma curadoria composta por três profissionais, de experiência reconhecida na área: Marcondes Lima, professor do Curso de Licenciatura em Artes Cênicas da UFPE, encenador, cenógrafo, figurinista, maquiador e ator; Ruy Aguiar, mercadólogo, produtor cultural, ator e diretor da Métron Produções; e Williams Sant'Anna, ator, bailarino popular, encenador, dramaturgo, arte-educador, historiador, pesquisador da cultura popular e gerente de teatro da Fundação de Cultura da Cidade do Recife. A divulgação dos espetáculos escolhidos será no dia 20 de maio.

O Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco, que chega à sua oitava edição, acontece sempre no mês de julho em três pólos: teatro, praças e shopping. Nas sete edições já realizadas, se apresentaram mais de uma centena de companhias de diversas regiões do país, e até de fora do Brasil, envolvendo um público de mais de 100 mil espectadores. Há, também, oficinas de formação e palestras voltadas para os profissionais que atuam no setor.

Realização: Métron Produções

Informações: 81 - 30886650

quarta-feira, 6 de abril de 2011

VORAGEM - espetáculo de teatro do grupo Magrykory - SESC

RIO DE JANEIRO RECEBE 1º SEMINÁRIO “A SOCIEDADE EM REDE E O TEATRO”


O Vivo EnCena realizará no Rio de Janeiro o 1º Seminário “A Sociedade em Rede e o Teatro”. O evento, com curadoria de Expedito Araujo, acontecerá de 15 a 17 de abril e tem como temas os conceitos atuais de economia criativa, sociedade em rede, sustentabilidade, parceria e partilha de experiências.
Inscrições abertas até 10 de abril através do endereço eletrônico: vivoencena@gmail.com. Todas as informações necessárias para as inscrições estão disponíveis em http://www.seminariosvivoencena.blogspot.com/. Serão selecionadas 50 pessoas para participação no Seminário. A abertura contará com palestra de Amir Haddad, diretor, ator e fundador do Grupo Tá na Rua. A programação do evento inclui uma série de atividades como workshops, mesa redonda e ações para integração. “A Sociedade em Rede e o Teatro” contará com participação de renomados nomes da cena cultural.

terça-feira, 5 de abril de 2011

DOM QUIXOTE - A BUSCA

Com Luiz Terribele Jr e Silvio Favaro

Direção de Fernando Aleixo
Texto de Henri Lalli
Aquela que já foi eleita a melhor ficção de todos os tempos e inspirou milhares de outras obras artísticas, ganha uma versão teatral sensível e inteligente.

A peça “Dom Quixote - A Busca” é uma adaptação livre da obra de Cervantes.
Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes – Sala Luís Otávio Burnier
Pça Imprensa Fluminense, s/n
Campinas - SP
14 e 15 de abril, Às 20H30
R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia Classificação: livre
CONTATO:
Reginaldo Menegazzo
19 9152 5061
cultura@producaocultural.com.br
mais informações pelo site:
http://www.producaocultural.com.br/

Dia 16 de abril, Às 20H30, dentro do 1º Festival de Teatro e Música em Campinas – SP
Local: ACI – ASSOCIAÇÃO CAMPINEIRA DE IMPRENSA
Rua Barreto Leme, 1479 – Centro Campinas – SP (ao lado da prefeitura)
R$ 20,00 inteira / R$ 10,00 meia

I º Encontro de Culturas tradicionais e Juventude

O Encontro tem por objetivo a articulação entre os grupos de cultura popular e a difusão e valorização das diversas culturas tradicionais, pensando a transmissão desse saber às futuras gerações de Mestres e Brincantes, discutindo planos para a salvaguarda, divulgação, e articulação dessas culturas tradicionais com as novas mídias, inserção de novas tecnologias digitais colocando-as a serviço das culturas tradicionais, através do protagonismo juvenil e do fortalecimento das lideranças jovens dos grupos, o que contribuirá para a preservação, intercâmbio e difusão dos patrimônios culturais locais.

Programação

09:30 Café da manhã

10:00 Mesa I: Culturas tradicionais e Cultura Digital

Eleonora Gabriel - UFRJ

Edimilson santini - TEATRO EM CORDEL

Gilberto Fugimoto - SESC RJ

Adriano Belisário - EAPCULT

Ana Paula Jones - Raízes da Tradição

12:00 Oficina de Jongo (Jongueiros da Serrinha e do Quilombo São José)
13:00 Almoço
14:00 Mesa II: Velhas Guardas e Novas gerações do Samba

Rachel Valença – Pesquisadora , autora do livro, Serra, Serrinha , Serrano.

Flávio Aniceto – Cientista social, produtor cultural, coordenador do CPC Aracy de Almeida.

Ivan milanês- compositor, velha guarda do império

Moisés Marques- Cantor

Grupo Descendo a Serra- Samba

Valcir Pelé – Portela, projeto Primeiro passo.

16:00 Apresentação do Grupo de Jongo do Quilombo São José.

17:00 Fuzuê com todos os grupos de Cultura popular presentes .

segunda-feira, 4 de abril de 2011

CONVITE "A dona do fusca laranja" -> dramaturgia Jô Bilac -> direção Fábio Ferreira -> com Camila Rhodi

COLETIVO DE MULHERES NEGRAS DO RIO DE JANEIRO FORA BOLSONARO

Com o intuito de combater o racismo e as desigualdades econômicas e sociais dos negros, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu 2011 como o Ano Internacional dos Afrodescendentes


Com a segunda maior população negra do planeta (e primeira fora do continente africano), a missão do Brasil no ano temático da ONU é "chamar atenção para as persistentes desigualdades que ainda afetam esta parte importante da população brasileira", segundo um comunicado da instituição.

Parece que vai ser necessário mais um século para a desconstrução do RACISMO, na sociedade brasileira, para que a População Negra e, principalmente, nós, Mulheres Negras, possamos sair de vez do lugar histórico determinado pela escravidão.

BOLSONARO, no Ano Internacional dos Afrodescendentes , ainda nos vê na cama do Senhor ou na varanda da Casa Grande com as tetas alimentando o Sinhozinho ou a futura Senhora.

A fala RACISTA, SEXISTA, FACISTA ,HOMOFÓBICA do Parlamentar do PP, foi ouvida por milhões de pessoas na noite de 28 de março de 2011, quando o Deputado Jair Bolsonaro ao responder à pergunta da Preta Gil no programa Custe o Que Custar na TV Bandeirantes afirmou:



Preta Gil :

“se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?”



Eis a resposta literal de Bolsonaro:

“ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja, eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu”

ATO organizado por várias entidades do Movimento Negro e do Movimento Social.

Vilma Piedade – Coord. Executiva do Coletivo de Mulheres Negras/RJ/UNEGRO

Cláudia Vitalino – Sec. Executiva do Coletivo de Mulheres Negras/RJ/UNEGRO

quinta-feira, 31 de março de 2011

PROCESSO SELETIVO 2011 DO PROFAC - Programa de Formação do Artista de Circo

A partir de 31 de março de 2011, estarão abertas as inscrições para um novo processo seletivo do PROFAC - Programa de Formação do Artista de Circo da Escola de Circo Social Crescer e Viver. Serão 30 vagas oferecidas à jovens de 15 a 24 anos com ensino fundamental completo.


O curso do PROFAC tem duração de 2 anos, é inteiramente gratuito, e tem por objetivo formar jovens artistas através do desenvolvimento de conhecimentos, atitudes e habilidades artísticas e culturais, preparando-os para a atuação performática com excelência e segurança, no contexto dos múltiplos espaços cênicos e das diversas possibilidades de encenação no espetáculo circense, com conteúdos que passam pela técnicas circenses, interpretação e disciplinas teóricas como história da arte, história do circo, ética e estética, entre outros.

As aulas acontecem de segunda a sexta feira, das 8h às 12h15min. Quem estiver interessado deve se inscrever até o dia 31 de maio de 2011 para participar do processo seletivo composto de prova de aptidão física e teste psicossocial.

Nos links abaixo estão disponíveis o Regulamento, o Formulário de Inscrição e o Projeto Pedagógico do PROFAC. Para maiores informações visite o site ou entre em contato com diretamente no CIRCO CRESCER E VIVER, localizado à rua Carmo Neto 143, lona de circo, em frente a estação Praça Onze do metrô, telefone (21) 3972-1391. Sejam bem vindos ao mundo do Circo!
Regulamento do Processo Seletivo (.pdf)
Formulário de Inscrição (.doc)
Projeto Pedagógico (.pdf)

segunda-feira, 28 de março de 2011

NOTA DE REPÚDIO À CRIMINALIZAÇAO DE GAROTAS DE PROGRAMA


O Coletivo Leila Diniz (CLD) vem a público manifestar o seu repúdio à forma criminalizante com a qual formadores de opinião pública vêm tratando as mulheres que exercem otrabalho da prostituição em Ponta Negra. Após reportagem com cunho de denúncia veiculada pelo Fantástico/Rede Globo, jornais locais como Diário de Natal e Tribuna do Norte repercutiram matérias de mesma natureza. No entanto, a abordagem dada, para nós do CLD dá um tratamento simplista e estigmatizador a uma questão social tão complexa!Nesse sentido, chamamos atenção das autoridades de governo e Justiça para ao fato de que medidas de coerção as mulheres terão baixíssimo grau de resolutividade. Posto que, caberia antes de tais ações, uma análise crítica da realidade da vida das mulheres em Natal , e, do nordeste brasileiro, para compreender um contexto social e histórico que não se sustenta em análises inacabadas e de senso comum, onde o fato subsiste sem sua própria origem. Em matéria publicada na Tribuna do Norte, a reportagem faz um perfil de uma das mulheres, que por si só, explica a situação a qual nos vemos desafiados a enfrentar e resolver: mulher jovem, 27 anos, dois filhos, desempregada, ganhando 150,00 por programa. Uma trabalhadora e chefe de família que fez uma escolha dificil e marginalizada, como estratégia pela garantia de sua sobrevivência e de seus filhos. A questão da prostituição, no Brasil, remonta à colonização e está ancorada nas estruturas de desigualdade de gênero, classe e raça, na qual nós mulheres estamos submetidas; em uma sociedade capitalista, de terceiro mundo, extremamente excludente e consumista. Isto quer dizer que em decorrência da desigualdade entre os sexos, nós mulheres nos tornamos à parcela da população destituída de riquezas e incapacitadas a exercer autonomia sobre nossos destinos. A desigualdade entre os gêneros, em qualquer cultura, está ancorada na divisão sexual do trabalho, não importando se somos altamente qualificadas, sendo esta concepção do trabalho feminino que nos assegura na pirâmide social sermos subalternas aos homens, não é por acaso que nossos salários são menores em relação aos homens, mesmo quando ocupamos os mesmos postos de trabalho. Assim como em outros países de terceiro mundo, tais como Tailândia e Vietnam, um amplo contexto social, cultural e econômico, coloca Natal na rota do mercado internacional do sexo, gerando dinheiro, tanto quanto o comércio ilegal de armas e o tráfico de drogas. Lembramos também, quea prostituição é hoje no Brasil uma ocupação profissional, reconhecida pelo Ministério do Trabalho, passível de garantias legais tais como: registro de autônomo; recolhimento de contribuições previdenciárias e aposentadoria. Ainda assim a quem interessa criminalizar a prostituição?Sabemos que aprostituiçao é um problema social antigo e sua perseguição nunca promoveu a superação. Basta remontar alguns momentos históricos de Natal, por exemplo,a Segunda Guerra Mundial, onde tivemos a ascensão de Maria Boa e suas meninas vindas de diferentes cidades para atender aos desejos do conjunto de soldados norte-americanos e homens da alta sociedade natalense e brasileira. O mesmo contexto surge na década de 90 e início dos anos 2000, resignificado pelo mercado globalizado, e com a efervescência do turismo no nordeste brasileiro: o chamado "turismo sexual".Não precisamos de muitas análises e previsões para perceber que a mais nova tendência na qual o mercado do sexo investirá será a Copa do Mundo em 2014. Qual será então nossa reação? O mesmo “pânico sexual” de hoje e dos últimos 50 anos? A implementação de ações higienistas? Que sutilmente propõe a retirada de prostitutas dos olhos da população “zona sul”, sem, de fato, encarar as demandas sociais que esse problema traz a tona.Nesse sentido, não seria mais responsável tratar a questão de frente e dialogar com as mulheres que realizam os programas, e articular possibilidades mais concretas de enfrentar os riscos da marginalização,segregação, e da exploração sexual de meninas? Possibilidades capazes de produzir menos danos às mulheres, e ao entorno da comunidade? Uma ação em parceria com as profissionais do sexo, que necessitam de proteção social e policial, pode ter um efeito retrator para a ação do comércio ilegal de entorpecentes, e da pedofilia no período dos jogos, no qual inevitavelmente o comércio do sexo se alia.Recuperamos que pesquisa realizada em 2005, pela Prefeitura do Natal, já apontava a urgência de viabilização de políticas locais específicas para as mulheres, de 18 a 30 anos,na área de educação e profissionalização, dado que o desemprego atingia com maior força essa parcela da sociedade. Atender à demanda do chamado “turismo sexual” é a oportunidade mais viável para o grande contingente de mulheres jovens e desempregadas, oriundas em sua maioria dos bairros da zona norte e oeste de Natal. Sobretudo, quando as mulheres estão enquadradas num imaginário sexual globalizado, na qual são vistas como mulheres quentes, sensuais, lascivas e, ao mesmo tempo, passivas.Em 1994, a Casa Renascer era a secretaria executiva de uma Campanha Nacional de Enfrentamento à exploração sexual e o turismo sexual, que já questionava o modelo de desenvolvimento econômico do Nordeste, baseado no turismo, prevendo os impactos negativos da atividade,que seriam gerados sobre a população feminina, adulta e infanto-juvenil.Inúmeros documentos comprovam este movimento.Desde então, todo o esforço que a gestão pública e a elite governante do estado e da cidade têm feito é uma atuação pulverizada, ocasional, e moralista centrada na repressão às mulheres. O que esses gestores e gestoras esquecem é que esse problema tem a ver com as escolhas por políticas frágeis de enfrentamento à pobreza dos jovens e das mulheres em Natal; com os equívocos dos investimentos nos processos de produção cultural, com o não- investimento para uma educação pública de qualidade; com o abandono da prática de planejamento participativo; com a pouca firmeza da gestão na condução do uso e ocupação do solo. Nesse sentido, dizer não à criminalização da prostituição é exigir que políticas de enfretamento à desigualdade de gênero sejam implantadas, com compromisso e seriedade que os problemas relacionados à especificidade das mulheres sejam reconhecidos pela sociedade.

Leandro Oliveira

Coletivo Leila Diniz – Ações de Cidadania e Estudos Feministas Coletivo Leila Diniz

Edital Funarte de Doação de Equipamentos de Iluminação Cênica 2011

Inscrições abertas até o dia 09/05/2011


Cooperativas, companhias, empresas e outras instituições culturais públicas ou privadas podem adquirir, por meio deste programa, conjuntos de equipamentos de iluminação cênica. O material é doado pela Funarte, que assim contribui para a melhoria técnica e artística de espaços de artes cênicas em todo o país. Em 2011, serão contemplados 20 proponentes.

Para participar, é preciso enviar à Funarte, pelo correio, um projeto que contenha: os motivos da necessidade dos equipamentos, a ficha de inscrição preenchida, o currículo do proponente e dados relativos ao espaço cênico – entre outros documentos e informações, conforme explica o edital. Os projetos são analisados por uma comissão composta por três especialistas do Centro Técnico de Artes Cênicas da Funarte.

O investimento total no programa é de R$ 800 mil.

Envie seus projetos para:

Fundação Nacional de Artes

Centro Técnico de Artes Cênicas

Rua do Lavradio, 54 – Centro, Rio de Janeiro/RJ

CEP: 20230-070
As inscrições estão abertas no período de 23/03/2011 até 09/05/2011. Outros esclarecimentos podem ser obtidos pelo endereço eletrônico: informacao.ctac@funarte.gov.br .
Veja aqui o edital

Baixe a ficha de inscrição

Veja o modelo da Declaração de Capacidade Técnica